domingo, 5 de outubro de 2014

Vai começar as cucuias será verdade??



06/09/2014
 às 18:17 \ Política & Cia

ESCÂNDALO DO PETROLÃO: Ex-diretor da Petrobras, preso, começa a entregar os nomes de quem se esparramou em dinheiro sujo. Seu depoimento pode detonar a candidatura Dilma

Paulo Roberto Costa:
Paulo Roberto Costa: depois de cinco meses de cadeia, resolveu colaborar com a Justiça e já revelou à PF e ao Ministério Público uma lista arrasadora de políticos importantes que mamaram em dinheiro proveniente da corrupção (Foto: VEJA.com)
Amigas e amigos do blog, a bomba que poderá mudar o curso da eleição presidencial está explodindo e faz a coisa ficar feia para muitos políticos — governadores, senadores, deputados, cardeais do PT –, tendo potencial para respingar em Lula e, como verão mais abaixo, atingir como um míssil a candidatura da presidente Dilma à reeleição.
O Petrolão — escândalo de roubalheira e desvio de dinheiro para políticos atuando na Petrobras — poderá ainda afetar gente importante como o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral (PMDB), candidato ao Senado, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e até a reputação de Eduardo Campos, ex-presidenciável do PSB e ex-governador de Pernambuco, morto no mês passado em um acidente aéreo.
Com o artífice do esquema estando preso e, em troca de tratamento menos rigoroso pela Justiça, começando a falar o que sabe — o ex-diretor da Petrobras Paulo Costa –, pode sobrar ainda para, entre outros, Edison Lobão, ministro das Minas e Energia, do PMDB; João Vaccari Neto, secretário nacional de finanças do PT; Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados, do PMDB; Renan Calheiros, presidente do Senado, do PMDB; Ciro Nogueira, senador e presidente nacional do PP; Romero Jucá, senador do PMDB e ex-líder do governo Dilma no Senado; Cândido Vaccarezza, deputado federal do PT paulista; João Pizzolatti, deputado federal do PT por Santa Catarina; Mario Negromonte, ex-ministro das Cidades, do PP.
O homem começou a falar — está na longa reportagem de VEJA já nas bancas — e o que ele diz poderá detonar reputações e mexer fundo com a eleição presidencial.
A trajetória do engenheiro Paulo Roberto Costa na Petrobras — ele, que já foi um dos homens mais poderosos do país — não começou da forma mais recomendável. Quem o indicou para a importantíssima diretoria de Abastecimento e Refino da estatal foi o mensaleiro José Janene, deputado pelo Paraná e ex-líder do PP na Câmara, que só não está na Penitenciária da Papuda porque morreu em 2010.
Foi o ex-presidento Lula quem alojou Paulo Roberto Costa na poderosa diretoria de Abastecimento da Petrobras, por indicação do deputado malufista José Janene. Durante o lulalato, Paulo Roberto permaneceu por seis anos no cargo (Foto: Ale Viana/Brazil Photopress)
Foi o ex-presidento Lula quem alojou Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras, por indicação do deputado malufista José Janene. Durante o lulalato, Paulo Roberto permaneceu por seis anos no cargo (Foto: Ale Viana/Brazil Photopress)
Mas Janene emplacou Paulo Roberto, em nomeação endossada por Lula, e por longos oito anos, entre 2004 e 2012 — abrangendo, portanto, o lulalato e parte do governo Dilma –, ele reinou sobre uma área bilionária, que decidia sobre itens valiosíssimos, como construção de refinarias, aluguel de plataformas de exploração e de navios, construção e manutenção de gasodutos e oleodutos. Tudo aquilo, enfim, que faz a alegria de grandes empreiteiras.
Era caro ao poder. O ex-presidento Lula, por exemplo, o chamava de “Paulinho”. O próprio “Paulinho” relatou que tinha acesso direto e frequente ao então presidente.
Os partidos da “base aliada” o adulavam. Até que entrou em ação a Polícia Federal, que investigava uma ampla rede de corrupção na Petrobras que se esparramava por empreiteiras contratadas pela empresa, pagadoras de grossas propinas para obter contratos, por doleiros que lavavam o dinheiro sujo e por políticos importantes que embolsavam gordas somas de forma ilícita.
A PF não demorou a chegar a “Paulinho”, que foi preso em março e amargou, em cadeia no Paraná, situações tenebrosas para quem estava acostumada aos aconchegos do poder, como permanecer algemado dentro da cela.
Vendo que não tinha saída, e temendo até pela própria vida — sabemos todos como é o Brasil –, cinco meses depois de preso Paulo Roberto resolveu colaborar com a Polícia, o Ministério Público e a Justiça. Os depoimentos começaram no dia 29 de agosto e já acumularam 42 horas de gravação em vídeo, material que depois é criptografado e lacrado nas dependências da PF em Curitiba.
Segundo a edição de VEJA que já está circulando, cujos repórteres tiveram acesso a partes do depoimento, essa montanha de revelações deu aos delegados e procuradores uma lista de políticos que, de acordo “Paulinho”, mamaram no dinheiro sujo. Segundo ele, três governadores (os já citados lá no começo), seis senadores, um ministro e pelo menos — vejam só!!!! — 25 deputados federais da “base aliada” lulopetista se aproveitaram da maracutaia.
Não por acaso, os três governadores supostamente envolvidos pilotam ou pilotaram (caso de Campos) Estados onde a Petrobras tem grandes projetos em andamento.
O esquema de roubalheira na Petrobras, segundo Paulo Roberto Costa, funcionou durante seis dos oito anos de lulalato e adentrou no governo Dilma. No Petrolão, a distribuição de dinheiro servia para garantir apoio dos partidos aliados ao governo no Congresso (Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)
O esquema de roubalheira na Petrobras, segundo Paulo Roberto Costa, funcionou durante seis dos oito anos de lulalato e adentrou no governo Dilma. No Petrolão, a distribuição de dinheiro servia para garantir apoio dos partidos aliados ao governo no Congresso (Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)
Do lado do PT, o principal operador encarregado de fazer a ponte com o esquema corrupto seria o tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto — substituto do mensaleiro e presidiário Delúbio Soares –, cujo nome já havia surgido nas investigações como personagem das transações suspeitas do doleiro Alberto Youssef. O que a Polícia Federal vem levantando por meio dos interrogatórios é algo muitíssimo semelhante ao mensalão. Pode-se até falar em Petrolão, uma vez que o dinheiro (talvez 3% de cada obra conseguida por uma empreiteira) se destinava a irrigar o caixa dos partidos que apoiam Dilma no Congresso e manter, desta forma, sua “lealdade” ao governo.
Paulo Roberto está depondo por temas, e ainda não se aprofundou no escândalo da refinaria Pasadena, comprada pela Petrobras no Texas com um espantoso sobrepreço. Já informou, porém, que pelo menos parte da dinheirama paga a mais pela estatal foi parar em mãos de políticos.
Quanto às empreiteiras envolvidas, a revista não teve acesso, ainda, às declarações de “Paulinho”. De todo modo, pode-se perfeitamente supor que sejam Camargo Corrêa, OAS, UTC e Constran, já sendo investigadas a partir do que a PF descobriu sobre o doleiro Alberto Youssef e sua participação no esquema.
Ouvidos por VEJA, todos os acusados que foram encontrados negaram a prática de qualquer irregularidade. A família de Eduardo Campos não se pronunciou junto à revista.
As declarações do ex-diretor da Petrobras, naturalmente, são apenas um elemento — embora fortíssimo — do inquérito policial. Precisarão, quando os depoimentos terminarem, ser confrontadas com outras provas, testemunhais ou documentais, antes de que se conclua pela imputabilidade dos acusados.
Mas o material trazido à tona por Paulo Roberto é nitroglicerina pura.
E só os cegos ideologicamente ou ingênuos irrecuperáveis dirão que não afetará a situação eleitoral de Dilma.
Razões para isso não falta, a saber:
1. A hoje presidente sempre foi a principal manda-chuva do setor energético — do qual a Petrobras é peça essencial — desde que assumiu o Ministério das Minas e Energia de Lula, em 2003;
2. Além do mais, presidiu o Conselho de Administração da estatal;
3. Sob sua bênção foi nomeado o diretor responsável pelo famoso relatório que resultou na desastrosa compra da refinaria Pasadena, no Texas.
4. O responsável pelas finanças de seu partido é um dos implicados na bandalheira, segundo as fitas gravadas por Paulo Roberto.
O “não sei de nada”, “não fui eu”, “a culpa é de Fulano ou Beltrano” desta vez vai colar?
Se ficar provado envolvimento do falecido Eduardo Campos no ilícito, isso acabará exigindo explicações e tomadas de posição de Marina Silva.
Paulo Roberto chegou a se jactar, há algum tempo, de que, se falasse, “não haveria” eleição presidencial.
Haverá, é claro. Mas provavelmente impactada pelos fatos que vem revelando e que só parcialmente vieram, por ora, à tona.

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